Como sair do banco e virar assessor de investimentos
Entenda as etapas, certificações e planejamento financeiro necessários para fazer essa transição de carreira

Para sair do banco e virar assessor de investimentos, o caminho passa por três etapas: conquistar a certificação da ANCORD, se vincular a um escritório de assessoria credenciado por uma corretora e construir uma reserva financeira para os primeiros meses de transição, período em que a renda costuma ser mais instável. Neste artigo, você entende cada uma dessas etapas e o que considerar antes de dar esse passo.
Por que tantos bancários migram para a assessoria
Quem trabalha em banco costuma esbarrar em um teto de carreira relativamente previsível: crescimento salarial atrelado a promoções, metas comerciais definidas pela instituição e pouca autonomia sobre a própria base de clientes. Já a carreira de assessor de investimentos oferece um modelo diferente, baseado em remuneração por comissão sobre o volume de recursos administrado, com potencial de renda maior no médio e longo prazo, mas também mais instabilidade no começo.
Esse é o principal motivo pelo qual profissionais experientes de banco, principalmente aqueles que já constroem relacionamento com clientes de médio e alto patrimônio, avaliam migrar para a assessoria independente.
Passo 1: conquistar a certificação da ANCORD
O primeiro passo obrigatório é a certificação emitida pela ANCORD, exigida para atuar como assessor de investimento vinculado a uma corretora. Diferente das certificações voltadas à distribuição de investimentos em ambiente bancário, a certificação da ANCORD é voltada especificamente para quem vai atuar de forma mais autônoma, orientando clientes sobre investimentos fora da estrutura bancária tradicional.
Se você já possui certificações da ANBIMA, boa parte do conhecimento sobre produtos de investimento já vai estar consolidada, o que costuma facilitar os estudos para a certificação da ANCORD.
Passo 2: escolher o escritório de assessoria certo
Depois de certificado, o próximo passo é se vincular a um escritório de assessoria credenciado por uma corretora. Essa escolha é uma das mais importantes da transição, já que o escritório costuma oferecer estrutura de suporte, plataforma tecnológica e, em alguns casos, treinamento comercial para quem está começando.
Vale pesquisar critérios como o modelo de comissionamento praticado, o suporte oferecido para captação de clientes no início da carreira e a reputação do escritório no mercado antes de fechar a parceria.
Passo 3: planejar a transição financeira
Esse costuma ser o ponto mais delicado para quem sai de um cargo CLT com salário fixo. Nos primeiros meses como assessor de investimentos, a receita depende diretamente da carteira de clientes que você consegue construir, o que normalmente é mais lento no início.
Por isso, é recomendável ter uma reserva financeira que cubra pelo menos alguns meses de despesas antes de fazer a transição completa, principalmente se você pretende sair do banco antes de ter uma base mínima de clientes já estruturada.
Como levar clientes na transição
Uma dúvida comum de quem já trabalha em banco é se é possível levar clientes na migração para a assessoria. A resposta depende das regras de compliance da instituição de origem e das normas do mercado sobre prospecção de clientes, e não existe uma resposta única para todos os casos.
De forma geral, o que costuma funcionar melhor é construir relacionamento de confiança com os clientes ao longo do tempo, para que, quando a transição acontecer, seja o próprio cliente a buscar continuar sendo atendido por você, dentro das regras permitidas pelo mercado.
Vale a pena sair do banco para virar assessor de investimentos
Para quem tem perfil comercial, gosta de construir relacionamento de longo prazo e está disposto a lidar com uma fase inicial de renda mais instável, a resposta costuma ser sim. O potencial de crescimento de renda tende a ser maior do que em um cargo fixo tradicional, especialmente para quem já tem experiência e uma rede de contatos consolidada no mercado financeiro.
Por outro lado, quem depende de estabilidade financeira imediata ou ainda está no início da carreira pode se beneficiar de ganhar mais experiência dentro do banco antes de migrar, já que isso ajuda a construir relacionamento e conhecimento técnico antes de assumir os riscos da transição.
Perguntas frequentes sobre a transição de banco para assessoria
Preciso ter certificação da ANBIMA antes de fazer a certificação da ANCORD?
Não é obrigatório, mas ter certificações da ANBIMA ajuda bastante, já que boa parte do conteúdo sobre produtos de investimento se sobrepõe entre as certificações.
Quanto tempo leva para se estabilizar financeiramente como assessor de investimentos?
Isso varia bastante conforme a rede de contatos e o volume de recursos que o profissional consegue captar, mas é comum que os primeiros meses sejam de renda mais baixa e instável até a carteira de clientes se consolidar.
Posso continuar no banco enquanto estudo para a certificação da ANCORD?
Sim. A maioria dos profissionais se prepara para a certificação enquanto ainda está empregado, o que reduz o risco financeiro da transição.
É melhor migrar para um escritório grande ou pequeno?
Depende do seu perfil. Escritórios maiores costumam oferecer mais estrutura e suporte para quem está começando, enquanto escritórios menores podem oferecer condições de comissionamento diferenciadas para quem já chega com uma carteira própria de clientes.
Como se preparar com segurança
Antes de pedir demissão, o mais importante é já estar certificado pela ANCORD e ter clareza sobre o escritório de assessoria com o qual pretende trabalhar. Fazer essa preparação com antecedência, ainda dentro do banco, reduz bastante o risco financeiro dessa transição de carreira.


